Sentado no meio do mundo, senti chegar meu momento. Estava na hora. Talvez já houvesse até passado. Precisava levantar. Precisava sair dali. Arranjar alguma forma de fugir, desaparecer. Voltar a ser aquele que eu já havia sido um dia. Mas como? Onde arranjar forças para deixar essa vida parasita e solitária, e seguir em frente? Com esvair os rostos desconhecidos e sem corpo que rodeavam maldosamente por minha cabeça à procura de destruição?
Eles entraram sem pedir licença e devastaram tudo o que já eram destroços dentro de mim. E agora saíam, sem mais nem menos, rindo e debochando, simplesmente. Tudo o que existia de bom em mim eles haviam tomado, engolido, e depois vomitado. As coisas ruins eles meramente absorveram. Destruíram tudo, deixando o que eram torres, ruínas; o que era mar, poça.
Onde estava o amor? Onde estava a felicidade? A bondade e generosidade? Havia sorrisos. Havia risadas. Todas falsas, maldosas e irônicas, ecoando perturbadamente de dentro de meus ouvidos, causando um ruído ensurdecedor. Tudo estava frio. Tudo estava escuro. Não havia tudo. Só nada. E eu. Adormecendo.Eles entraram sem pedir licença e devastaram tudo o que já eram destroços dentro de mim. E agora saíam, sem mais nem menos, rindo e debochando, simplesmente. Tudo o que existia de bom em mim eles haviam tomado, engolido, e depois vomitado. As coisas ruins eles meramente absorveram. Destruíram tudo, deixando o que eram torres, ruínas; o que era mar, poça.

Nossa, não conhecia esse seu lado tão poético Gabriel. Parabéns, tá muito legal *--*
ResponderExcluirPor trás de todo homem de lata, bate um coração. (Por trás de todo mouco desumano, há um poeta se debatendo e esperando pelo tão aguardado dia em que poderá sair e mostrar ao mundo sua sensibilidade sem tamanho.)
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