20 dezembro, 2011

Risadas


            Sentado no meio do mundo, senti chegar meu momento. Estava na hora. Talvez já houvesse até passado. Precisava levantar. Precisava sair dali. Arranjar alguma forma de fugir, desaparecer. Voltar a ser aquele que eu já havia sido um dia. Mas como? Onde arranjar forças para deixar essa vida parasita e solitária, e seguir em frente? Com esvair os rostos desconhecidos e sem corpo que rodeavam maldosamente por minha cabeça à procura de destruição?
            Eles entraram sem pedir licença e devastaram tudo o que já eram destroços dentro de mim. E agora saíam, sem mais nem menos, rindo e debochando, simplesmente. Tudo o que existia de bom em mim eles haviam tomado, engolido, e depois vomitado. As coisas ruins eles meramente absorveram. Destruíram tudo, deixando o que eram torres, ruínas; o que era mar, poça.
            Onde estava o amor? Onde estava a felicidade? A bondade e generosidade? Havia sorrisos. Havia risadas. Todas falsas, maldosas e irônicas, ecoando perturbadamente de dentro de meus ouvidos, causando um ruído ensurdecedor. Tudo estava frio. Tudo estava escuro. Não havia tudo. Só nada. E eu. Adormecendo.

2 comentários:

  1. Nossa, não conhecia esse seu lado tão poético Gabriel. Parabéns, tá muito legal *--*

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  2. Por trás de todo homem de lata, bate um coração. (Por trás de todo mouco desumano, há um poeta se debatendo e esperando pelo tão aguardado dia em que poderá sair e mostrar ao mundo sua sensibilidade sem tamanho.)

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